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Poeta mineiro foi uma das grandes vozes da literatura, evidenciando o povo negro e combatendo o racismo estrutural no país por meio de suas obras

No mês de aniversário do Suplemento Literário de Minas Gerais, que celebrou 54 anos em 3 de setembro, a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult), por meio da Superintendência de Bibliotecas, Museus, Arquivo Público e Equipamentos Culturais, publica, em formato digital, a Edição Especial “Adão Ventura – 80 anos, poesia à flor da pele”, em homenagem ao 80 anos de nascimento do poeta mineiro Adão Ventura (1939-2004). 
 
Organizada por Fabrício Marques, a publicação reúne 40 páginas que celebram a vida e a obra do escritor, natural de Santo Antônio do Itambé, no Vale do Jequitinhonha, e que tornou uma das figuras mais emblemáticas da produção literária negra em Minas Gerais e no Brasil. O número, que corresponde a novembro de 2019, reúne textos de Ricardo Aleixo, Sônia Queiroz, Gustavo Tanus e Leda Martins, que produziram conteúdos especialmente para essa Edição Especial do Suplemento. 

Clique aqui e leia na íntegra a Edição Especial  “Adão Ventura – 80 anos, poesia à flor da pele”
 
Há, também, contribuições de Sebastião Nunes, Fernando Brant, Silviano Santiago, Paulinho Assunção, Edimilson de Almeida Pereira, Márcio Sampaio e Anelito de Oliveira, que enriquecem a compreensão sobre a poesia de Adão, ao lado de imagens e uma pequena seleção de poemas. Além disso, a reprodução na íntegra de uma entrevista de Adão Ventura ao jornal Diário de Minas em junho de 1986. Todo o conteúdo estará disponível no site da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais. 
 
Para o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira, essa edição celebra a rica produção literária de Minas Gerais, evidenciando a vida e a obra de Adão Ventura. “Relembrar a história de Adão Ventura é fundamental para entendermos como nossa literatura é diversa e nos conta diferentes histórias. A homenagem a esse artista tão importante nos ajuda a compreender as urgências que inspiram a produção literária do povo negro, cuja importância na formação cultural de Minas deve sempre ser lembrada, fomentada e celebrada”.

Adão Ventura 
Neto de escravos, o mineiro Adão Ventura Ferreira Reis nasceu em 5 de julho de 1939. Formou-se em Direito em 1971, Direito da UFMG, em 1971. Morando em Belo Horizonte, conviveu e tornou-se de outros estudantes, como Fernando Brant, Jaime Prado Gouvêa, Sebastião Nunes e Sérgio Sant’Anna, que estenderam a amizade para os lados da Imprensa Oficial, onde funcionava a redação do “Suplemento Literário”, do Jornal Minas Gerais. Ali, trabalhou como revisor.
 
Seu primeiro livro foi publicado, “Abrir-se um abutre ou mesmo depois de deduzir dele o azul” (1970), um poema em prosa. Em 1973, Adão seguiu para os Estados Unidos, onde lecionou literatura brasileira na Universidade do Novo México. Esse fato foi marcante como um divisor na visão de mundo do poeta, a partir da crua compreensão do que é ser negro nesta vida. Voltou decidido a enfrentar o racismo estrutural brasileiro, que se tornaria tema de outras produções. 
 
Em uma nova fase de sua obra, suas origens africanas ficaram mais evidentes, com uma série de publicações. O maior destaque desse novo período é o livro “A cor da pele” (1980), uma obra baseada na visão de mundo e nas experiências de um homem negro brasileiro. Também é autor de outros livros, como “Pó-de-mico de macaco de circo” (1985), “Texturaafro” (1992) e “Litanias de cão” (2002). Adão Ventura faleceu em 12 de junho de 2004, aos 64 anos.